Uma receita fácil de fazer a olho, o método que trouxe da Madeira, dos locais, para uma poncha que traz frescura mesmo no calor.
Como dito por quem a conhece, a "ponchia" desperta algo em mim. Uma bebida que não faz o meu estilo, que se bebe quente mesmo no calor, mas que feita da forma certa traz frescura e que pode, ou não, ser menos alcoólica do que alguns acham. Aqui vai um método simples para fazer uma poncha incrível.
Da minha perspetiva há 3 tipos principais de poncha. Há a que eu peço, e depois há a que os outros pedem e eu provo. A Poncha à Pescador (uma bojarda de limão, evito porque gosto do esmalte dos meus dentes), e a Poncha de Tanjerina (é incrível, mas recomendo provar apenas lá, a tanjerina é muito particular e replicar cá não seria fácil). A Poncha Regional junta limão e laranja, e é a opção mais equilibrada. Um ótimo primeiro passo.
Eu tenho família emprestada na Madeira, e desenvolvi o meu palato a visitar a minha ilha preferida portuguesa com os locais. Como tal, rapidamente torci o nariz à Poncha rafeira turística, e aprendi a gostar de Poncha real, feita na hora, num tasco idealmente posicionado na montanha com uma vista incrível. Esta é fortemente inspirada na Poncha da Venda do André, sítio mítico. Avancemos.
Existem outros tipos de poncha que eu, para já, ainda não assumi como meus. A de maracujá, por exemplo, é uma que um dia poderei aceitar. Por agora, fico por esta.
Junta 50 mL de sumo de laranja, 25 mL de sumo de limão e 25 mL de água.
Este sumo é simples de fazer porque o ser humano nasceu para medir às metades: metade sumo de laranja, um quarto sumo de limão, um quarto de água. Podem, por exemplo, encher 2 copos pequenos de laranja, 1 copo de sumo de limão, 1 copo de água. Aqui a recomendação é fazer por excesso e guardar no frigorífico, na dúvida usam como sumo!
Podem, com o tempo, ajustar ao vosso gosto. Se gostarem de mais acidez, podem puxar pelo limão e fazer 50/50. Se quiserem puxar o sabor da laranja, o quarto que aqui foi utilizado com água, utilizem com laranja, e ficam com ¾ de laranja e ¼ limão. Tudo depende do vosso gosto, e do nível de acidez e doçura das laranjas em mão. Partam da referência que vos dei, mas brinquem.
A minha filosofia é simples. A poncha não é para se beber gelada. Idealmente a 12-16ºC, a temperatura a que se beberia um vinho do Porto. Acalma o álcool, e permite uma boa expressão dos aromas. A verdadeira frescura da Poncha vem das cascas dos citrinos, e é isto, na minha humilde opinião, e juntamente com um bom equilíbrio entre álcool, açúcar e acidez, que dá piada à Poncha. A segunda coisa a dar piada à Poncha é a Poncha que se bebeu antes, e assim sucessivamente. Bebam com moderação por favor. Menos e melhor 🙂
Como tal, recomendo refrigerar o sumo no frigorífico, para que se conserve, e usem o sumo frio, mas a poncha ser servida à temperatura de frigorífico, não.
Num copo grande de vidro, num copo medidor, ou noutro recipiente resistente, junta 6 g de açúcar a 2 tiras de casca de laranja e 2 tiras de casca de limão, e bate forte com um pilão ou o cabo mais grosso de uma colher de pau até ficar bem esmagado.
Cada casca é idealmente extraída com um descascador. Bate até os aromas contagiarem o açúcar: é importante usar o açúcar como veículo de sabor. Se as cascas tiverem demasiado intactas, continuem.
Junta 100 mL de sumo e 100 mL de aguardente de cana.
Junta 1½ colher de mel, mas começa por menos e vai provando. Mistura bem, prova e ajusta o mel se necessário, passa num coador e serve, idealmente em copinhos de poncha.
De forma geral, por cada copo de sumo vai 1 copo de aguardente de cana. E por cada copo de poncha recomendo ¾ de colher de mel (por cada 4 copos, 3 colheres). Ainda assim, gosto de começar com menos mel e ir provando.
O mel deve ser neutro. Numa grande superfície, se não conhecerem o mel, normalmente aponta para comprarem mel mais barato e claro. Se conhecerem bons produtores em que sabem que têm um mel com um perfil suave, é isso que querem. Não querem poncha a saber a medicamento da tosse. Se o mel estiver duro e menos viscoso, ponham o frasco em água quente para ajudar a dissolver.
Agora chegou a altura de misturar. Na ilha misturam com o famoso caralhinho. Vocês misturam com o que tiverem à mão.
Não vos podia abandonar sem um raciocínio simples, e que vos deixe uma aprendizagem simples mas mais geral.
Sendo o % de álcool da aguardente 38-40%, e sendo utilizado na receita 50% sumo, que tem 0% álcool, e 50% aguardente, ao fazer a mistura acabamos com um teor alcoólico de 19-20% (metade do da aguardente), e não contando com o mel e açúcar. Se contarmos, deverá descer ligeiramente para os 17-18%. Próximo de um vinho do Porto. Este é o único motivo que me leva a dar um ok à utilização de gelo, como forma de diluição da bebida e de prolongação da mesma. Servir num copo maior com várias pedras de gelo e aguardar diluição. Bebem a mesma quantidade mas durante mais tempo e de forma suave.
Abraço, tacho
A poncha fica com cerca de 17-20% de álcool. Se quiserem prolongar e suavizar, sirvam num copo maior com gelo.
Os ingredientes aparecem pela ordem do supermercado (frutas → mercearia → garrafeira). Desmarca o que já tens em casa e copia o resto para as tuas notas.
Valores estimados a partir dos ingredientes da receita (aguardente a 40% vol, sumo de citrinos, açúcar e mel). Variam com a fruta, o mel e a aguardente que usares, e com o gelo se optares por diluir. Bebe com moderação.